Após a atribuição do Prémio Nobel da Literatura de 2011 ao poeta sueco Tomas Tranströmer decidi pesquisar sobre este notável e seus poemas e também revisitar os meus livros de poesia, aqui vos a minha selecção de poemas que espero que gostem.
As fotos estão relacionadas com o fim de semana em que espairecemos ao ar livre apanhando ouriços de castanhas, vendo aves e alimentando os pavões.
DESDE A MONTANHA
Estou na montanha e vejo a enseada.
Os barcos descansam sobre a superfície do verão.
«Somos sonâmbulos. Luas vagabundas.»
Isso dizem as velas brancas.
«Deslizamos por uma casa adormecida.
Abrimos as portas lentamente.
Assomamo-nos à liberdade.»
Isso dizem as velas brancas.
Um dia vi navegar os desejos do mundo.
Todos, no mesmo rumo – uma só frota.
«Agora estamos dispersos. Séquito de ninguém.»
Isso dizem as velas brancas.
Tomas Tranströmer
Extraído do blogue Poesia Ilimitada
A VIDA
A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura num momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!
A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave:
que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
após outra lançou,
A vida – pena caída
Da asa da ave ferida
De vale em vale impelida
A vida o vento levou!
João de Deus
Extraído do livro “Rosa do Mundo – 2001 Poemas para o Futuro”
ANTES DE AMAR-TE, AMOR, NADA ERA MEU
Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.
Pablo Neruda
Extraído do livro “Cem Sonetos de Amor”
Por ocasião do Porto 2001, há 10 anos Capital Europeia da Cultura, foi publicado o livro Rosa do Mundo – 2001 Poemas para o Futuro, com a chancela da Assírio&Alvim, que é imperdível para verdadeiros apreciadores de poesia. Este livro reúne poesia de todo o mundo, desde o ano 1000 até ao século XX, com apenas um poema por autor, com poemas de sempre e para sempre.
Partilhem os vossos poemas favoritos ou os que forem lendo e apreciando.
Até Breve!
Teresa Novais Baptista
As fotos estão relacionadas com o fim de semana em que espairecemos ao ar livre apanhando ouriços de castanhas, vendo aves e alimentando os pavões.
DESDE A MONTANHA
Estou na montanha e vejo a enseada.
Os barcos descansam sobre a superfície do verão.
«Somos sonâmbulos. Luas vagabundas.»
Isso dizem as velas brancas.
«Deslizamos por uma casa adormecida.
Abrimos as portas lentamente.
Assomamo-nos à liberdade.»
Isso dizem as velas brancas.
Um dia vi navegar os desejos do mundo.
Todos, no mesmo rumo – uma só frota.
«Agora estamos dispersos. Séquito de ninguém.»
Isso dizem as velas brancas.
Tomas Tranströmer
Extraído do blogue Poesia Ilimitada
A VIDA
A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura num momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!
A vida é flor na corrente,
A vida é sopro suave,
A vida é estrela cadente,
Voa mais leve que a ave:
que o vento nos ares,
Onda que o vento nos mares,
após outra lançou,
A vida – pena caída
Da asa da ave ferida
De vale em vale impelida
A vida o vento levou!
João de Deus
Extraído do livro “Rosa do Mundo – 2001 Poemas para o Futuro”
ANTES DE AMAR-TE, AMOR, NADA ERA MEU
Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono.
Pablo Neruda
Extraído do livro “Cem Sonetos de Amor”
Por ocasião do Porto 2001, há 10 anos Capital Europeia da Cultura, foi publicado o livro Rosa do Mundo – 2001 Poemas para o Futuro, com a chancela da Assírio&Alvim, que é imperdível para verdadeiros apreciadores de poesia. Este livro reúne poesia de todo o mundo, desde o ano 1000 até ao século XX, com apenas um poema por autor, com poemas de sempre e para sempre.
Partilhem os vossos poemas favoritos ou os que forem lendo e apreciando.
Até Breve!
Teresa Novais Baptista



